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O papel dos EUA na história das Cervejas



Olá! 

Hoje falaremos sobre a escola mais jovem de todas: a Americana! Particularmente nem concordo com o termo “Americana” pois a história da criação dessa escola passa-se exclusivamente nos EUA e não em todo o continente. Ao meu ver, escola Estadunidense seria mais adequada, mas enfim... Não sou eu quem faz as regras hehehehe. Mas voltando... A atividade cervejeira nos EUA iniciou-se com os colonos ingleses (é dito que o navio Mayflower que trazia os Peregrinos puritanos da Inglaterra teve que atracar em Massachusetts justamente porque acabou a cerveja da tripulação) e imigrantes alemães que, no século XIX, sempre foram exímios cervejeiros. 

Por um tempo os cervejeiros importavam os insumos, mas para baratear os custos, em meados de 1880, resolveram utilizar produtos locais (a dupla polêmica: milho e arroz) o que permitiu, aliada a uma rápida fermentação e novos processos industriais, culminar na criação de cervejas com uma suavidade e cristalinidade únicas. As primeiras American Lagers!

Em 1910 os EUA já eram os maiores produtores de cerveja do mundo, porém veio a chamada Lei seca total em 1920 que proibia qualquer bebida alcoólica no país e durou por pouco mais de 13 anos. Pois, claramente só fez enriquecer os contrabandistas e mafiosos, como o famoso Al Capone. Porém, as companhias de bebidas nesse intervalo não fecharam as portas. Cresceram fortalecendo suas cadeias de distribuição e focando em refrigerantes (o boom dos refrigerantes de cola!). Com a abolição da lei e a volta das cervejas nas prateleiras o costume de uma geração que passou quase 15 anos com o gosto doce dos refrigerantes permeando seus happy hours trouxe uma certa aversão ao amargor das cervejas e assim nasceram as modernas American Lagers, o estilo mais consumido no mundo. Graças ao poder econômico e cultural dos EUA, a cerveja entrou nas casas e barzinhos de todo o planeta a ponto de muita gente (arrisco até uns 90% da população brasileira) achar que cerveja é só isso, ou nunca ouviram: “mas você bebe cerveja normal né?”, referindo-se justamente a esse estilo.

O lado bom dessa massificação resultou numa ânsia por algo novo, inusitado, que fuja todos os padrões, que impacte, que impressione, que choque! Com uma economia bem liberal e que facilitou a criação de empresas (algo que precisamos urgentemente pelo bem das cervejas locais) houve um gigantesco boom de cervejarias nos EUA e o resultado disso foi a aparição de uma variedade enorme de cervejas: Ora super amargas, ora bastante aromáticas, ora extremamente ácidas, ora com combinações extremamente exóticas e inusitadas. A escola americana é o laboratório que testa os limites do mundo cervejeiro!